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Prêmio SESI em parceria com a Academia Goiana de Letras


Empresa: ENGEGRAPH Sistemas

A Engegraph é Case de Sucesso em Informatica e seu colaborador Hélio de Lima Barbosa, programador de sistemas, é Case premiado em literatura - Trabalhador da Industria - com o conto AH! Veruska! em 1º lugar - Prêmio SESI Arte Criatividade - Literatura - 3 de Outubro 2013 em parceria com a Academia Goiana de Letras.
 
Parabéns Hélio Barbosa!!!
 
Acesse o blog: http://eyesinblues.blogspot.com.br
 
Confira o conto de Hélio Barbosa: AH! Veruska,  na integra:
 

Ah! Veruska!

Autor: Lelo.

O relógio marcava quase dezenove horas naquele início de noite de sábado. Veruska abriu a torneira que fazia encher a banheira enquanto terminava de se despir. Sentou-se à borda da banheira, espalhou sais de banho e esboçou um sorriso amarelado quando o fez.

Veruska era uma linda mulher que aos trinta anos aparentava dezesseis. Cabelos dourados e cacheados, maçãs do rosto salientes, olhos suavemente azulados, pele clara que denunciava não ser adepta aos bronzeamentos, nariz perfeitamente esculpido, boca com lábios harmonicamente carnudos e corpo de menina em maliciosas curvas de mulher.

Veruska permanecia solteira à espera de um príncipe encantado que saltasse das páginas de um conto de fadas e a tomasse nos braços com promessas de viverem felizes para sempre.

Raul surgiu em sua vida quando estava fragilizada pelo rompimento de um relacionamento, trazendo novas promessas de acolhimento, companheirismo e principalmente paz. Raul era um homem de 38 anos, caucasiano, voz pausada. Não demorou a apaixonar-se por Raul. Veruska adorava acordar e sentir aqueles braços fortes a envolvê-la e sentir aqueles lábios em seu pescoço com um sussurro de bom dia.

Naquela noite de sábado, Veruska abriu uma pequena caixa de joias que estava guardada na cômoda, retirou uma aliança de ouro cravejada, cuidadosamente escolhida por ela, como sua aliança de casamento. Olhou-a demoradamente, suspirou, colocou a aliança em seu dedo e esticando o braço, observou-a em sua mão esquerda.

Aquela noite de maio jamais seria esquecida. Radiante e sorridente, Veruska passou o dia se preparando para aquele momento. Banho de pétalas de rosas, massagem relaxante, cabeleireiro e finalmente o vestido de noiva, com véu, grinalda e de cauda enorme como sempre sonhara.

A viagem para a noite de núpcias foi perfeita. Saíram da igreja direto para o aeroporto, reservas feitas no hotel Martina al Colosseo em Roma, Itália, bem próximo ao Coliseu. 

Embora o Coliseu estivesse fechado para visitação pública, Veruska conseguiu convencer o vigia local de que seria muito breve sua incursão pelas ruínas. Veruska segurou a mão de Raul e praticamente o arrastou pelos corredores e aposentos em ruínas.

Veruska empurrou Raul de encontro à parede de uma dessas celas, atirou-se em seus braços, num beijo ardente, depois girou seu corpo, ficando ela contra a parede, puxou Raul para si, arrancando-lhe o paletó e suspirou quando sentiu suas unhas deslizando pelas suas coxas levantando o vestido preto rendado. Veruska sempre sonhara em fazer amor ali no Coliseu.

Havia muitos lugares a conhecer e Veruska queria eternizar todos esses momentos ao lado de seu amado. Se aquele homem era um sonho, ela não queria acordar nunca mais.

Veruska abriu os olhos, retirou lentamente a aliança do dedo e atirou-a violentamente contra a parede turvando seus olhos doces e azulados. Com a respiração acelerada e cerrando os dentes, soltou um grito ao lembrar-se de que Raul lhe dissera que viajaria a trabalho. Cuidadosa, nunca deixava Raul esquecer-se de nada quando ele viajava e tampouco tinha o hábito de mexer nos pertences de Raul. Porém, a maleta de Raul havia sido mal fechada e quando Veruska segurou-a pela alça, abriu-se e espalhou papéis pelo tapete do quarto. No meio desses papéis, dois bilhetes para um show que aconteceria na noite seguinte, em uma cidade vizinha, de uma banda que Veruska adorava. Veruska até pensou que seria uma surpresa para ela mesma, mas refutou a ideia. Nesse momento sentiu seu coração sair disparado pela boca, desapareceu o ar de seus pulmões e a cabeça começou a girar.

Qual a razão daqueles dois ingressos? Veruska não queria acreditar no que acontecia e resolveu não dizer nada a Raul.

Assim que Raul despediu-se e saiu, Veruska foi até o aeroporto e dirigiu-se ao balcão da companhia aérea pela qual Raul afirmara que viajaria. Sentiu náuseas e empalideceu quando a atendente afirmou que não havia nenhuma reserva sob aquele nome. Veruska resolveu que iria, sem avisar, até o local do show.

Veruska observava as pessoas chegando para o show. Foi quando seu sangue esvaiu-se de cada veia, cada vaso e nem o gelo seria tão frio quanto sua pele naquele momento em que, subindo as escadas do teatro, chegavam de mãos dadas e dedos entrelaçados, Raul e outra mulher, sorridentes, animados, íntimos. Veruska quase desfaleceu, sua respiração ficou curta, faltava-lhe ar suficiente para inflar os pulmões e oxigenar seu coração. Raul e a mulher pararam por instantes na fila, ele acariciou o rosto dela, afagou seus cabelos, beijou-a nos lábios delicadamente da mesma maneira que costumava beijá-la e entraram no teatro.

Veruska decidiu não assistir ao show. Voltou caminhando a passos ébrios até o estacionamento enquanto se lembrava de seu último diálogo com Raul.

- Oi querida, já cheguei a Buenos Aires. Está tudo bem por aí?

- Oi Raul, está tudo bem meu amor. Como foi a viagem?

- Correu sem problemas querida, está muito frio aqui em Buenos Aires, fiquei feliz ao abrir a mala e ver que você não se esqueceu do meu casaco.

- Sim, eu imaginei que pudesse estar frio mesmo.

- Obrigado meu amor, você sempre pensa em tudo e cuida muitíssimo bem de mim. Agora preciso desligar, pois teremos um jantar de negócios daqui a pouco. Amo você minha Veruska e não consigo imaginar minha vida sem você.

- Beijos querido.

Quanto mais Veruska se lembrava do diálogo travado entre ela e Raul, provavelmente realizado diante daquela mulher, fazendo com que ela, Veruska, assumisse o papel de palhaça, mais raiva ela sentia.

O barulhinho da água que enchia a banheira cessou, Veruska levantou-se, caminhou lentamente até a banheira e sentou-se, mergulhando até que a água cobrisse parte de seus ombros. Estendeu a mão e pegou a lâmina que havia colocado ao lado da saboneteira. O espelho de cristal refletia da posição na qual se encontrava a banheira, um quadro com a gravura de um casal sentado em um banco à beira de uma praia, já idosos, mas abraçados. Era assim que Veruska queria envelhecer.

Segurando a lâmina com a mão esquerda, pois Veruska era destra e teve receios de não ter a habilidade necessária para usá-la com a outra mão quando fosse necessário, selou seu destino com um corte firme e profundo em seu pulso direito, sentindo uma dor que, entretanto não se comparava com as chagas abertas em seu coração e sua alma. Enquanto lágrimas corriam pelo seu rosto e o pranto em soluço tornava difícil a execução de seu derradeiro ato, com dificuldade conseguiu segurar a lâmina e desferir o segundo corte, dessa vez em seu pulso esquerdo. A água turva e carmim, contrastava com as cristalinas lágrimas que percorriam seu rosto, contornando seu nariz perfeito e seus lábios, escorrendo pelo seu queixo e se perdendo misturadas pelas ondas que seus soluços provocavam na água. Veruska viveu à espera de um grande amor que nunca chegara, nunca conhecera e naquele momento, entre pranto e sofrimento, marcou seus pulsos com sua desistência.

No teatro, enquanto Veruska silenciosamente se despedia, Raul sorria e desdenhava, dizendo à mulher ao seu lado que aquela música, que naquele instante tocava era a preferida de sua "amada".

 

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